domingo, 26 de abril de 2015

"MESTRE ENSINA-NOS A REZAR"!

Nosso Senhor ensina os discípulos a rezar - a Oração do Pai-Nosso é uma perfeita lição de como se deve rezar corretamente.
 
 
São Paulo, ao escrever a seu discípulo Tito, assim se expressou sobre a vinda do Salvador:
Apareceu a benignidade e a humanidade de Deus Nosso Senhor” (Tit. 3, 4).
Nosso Senhor não deixou transparecer claramente a sua benignidade divina durante a sua vida humilde na casa de Nazaré.
Mas, quando iniciou sua vida pública na qualidade de Mestre e Salvador, de toda a sua figura humana irradiava a bondade do seu coração, transmitindo-se aos homens.
Um quê de sobrenatural e divino desprendia-se do seu olhar, a majestade do seu porte, a suavidade da sua voz, o seu modo compadecido para com os pobres e doentes cativaram-lhe os corações de todos.
Eis que Pedro, André, Tiago e João, acompanhando-o sempre, atraídos pela sua voz, abandonaram suas redes, Mateus deixa os seus interesses pecuniários para seguir a Jesus e assim milhares procederam; esquecidos do alimento e da bebida, tudo deixaram para segui-lo no deserto. Como nos atrai e edifica a benignidade e a humanidade de Cristo!
Ainda mais atraente se mostrava quando se entregava à oração.
Que quadro deslumbrante ao contemplar Jesus em oração! Jesus falando com seu Pai! Os próprios Anjos sentiram-se encantados, permaneceram, imóveis e silenciosos, admirando o Filho de Deus em oração.
Os apóstolos, impressionados com a atitude respeitosa do Mestre, procuravam gravar na sua alma o semblante, sentindo um desejo imenso de rezar com ele. Certo dia, acercaram-se do divino Mestre; tímidos e confiantes lhe disseram:
“Mestre, ensinai-nos a rezar”.
Oh! Que harmonia deliciosa foi para Jesus ouvir estas palavras, como ecoaram de um modo maravilhoso no seu Coração! Carinhosamente os atendeu, dando-lhes antes uma bela instrução:
“Quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, ora em secreto a teu Pai; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. E quando orais, não useis de muitas palavras, como os gentios; pois eles cuidam que serão atendidos pelo seu muito falar. Portanto, não vos assemelheis a eles; porque o vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais” (Mt. 6, 6-8).
Que santa instrução, instrução de máxima importância, encerraram estas palavras, contendo os mais sábios ensinamentos. Não usar de superabundância de palavras.
Não se sobrecarregar com muitos compromissos, os quais muitas vezes não podem ser satisfeitos. Muitos pensam ser agradável a Deus quando o seu nome figura em diversas associações, em todas que existem se possível for. Tudo deve ser feito com relativa moderação.
As associações e irmandades são todas boas e úteis, mas não o são igualmente a todas as pessoas. É necessário escolher, assumir poucos compromissos, mas que estes poucos sejam fielmente observados. Uma Ave-Maria, rezada com todo o fervor, vale mais que uma dezena rezada sem a devida atenção.
Depois, o divino Mestre acrescenta:
Assim, pois, é que deveis orar: Pai nosso, que estais no céu; santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino; seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos daí hoje; e perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém”.
Quanta sublimidade está incluída nesta oração, quantos sentimentos nobres. É possível encontrar fórmula mais simples e que contenha maior elevação divinal de pensamentos? Só o Coração de Jesus pode nutrir pensamentos tão elevados, e só seus lábios poderão pronunciar palavras
tão belas.
Essas poucas palavras revelam de forma precisa quais os sentimentos com que devemos fazer uma oração bem feita.
Sem nos deter na explanação dos diversos pedidos, notamos no entanto como esta pequena e simples oração possui todas as qualidades de uma oração bem feita: fé, reverência e confiança: Pai nosso, que estais no céu.
Amor de Deus: santificado seja o vosso nome. Interesse pela glória de Deus e pelo bem de nossa alma: Venha a nós o vosso reino, o reino do vosso amor e da vossa graça. Resignação à vontade de Deus: Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu.
Humildade e confiança filial: o pão nosso de cada dia nos daí hoje. Arrependimento e generoso perdão aos nossos inimigos: perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos. Reconhecimento humilde de nossa fraqueza e impotência: Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
Efetivamente, esta oração é sublime na sua simplicidade divinal, modelo único de toda oração. Concentração de tudo o que de mais nobre pode encerrar em pensamentos e sentimentos.
Quem reza com as intenções que se acham contidas no padre nosso, faz ótima oração, a qual, elevando-se em espirais perfumadas, sobre ao trono de Deus, como incenso puro que se costuma espargir sobre os altares, alcançando-nos graças em abundância.
Frequentemos a escola de Jesus, nosso Mestre. Procuremos aprender dele a sentir, a apreciar a sublimidade da oração, e acharemos cada dia maior prazer em praticá-la e pouco a pouco ela se tornará numa inefável delícia para a nossa alma, que jamais dispensaremos.
*   *   *
Fonte: retirado do livro “Assim deveis rezar” de “Mariófilo”.

terça-feira, 21 de abril de 2015

TUDO POSSO NAQUELE QUE ME CONFORTA!


É necessário ter paciência nas provações e nas tribulações, pois, se Deus as permite, são sempre para um bem maior.

 
 
Em tudo o que acontece reconhecei sempre a vontade de Deus.
Toda a malícia dos homens e do demônio não pode fazer que aconteça alguma coisa contra a vontade de Deus; é por isso que Nosso Senhor afirma que não cairá um cabelo da nossa cabeça sem a vontade do Pai celeste.
Assim, nas doenças, nas tentações, nas injúrias, em qualquer acontecimento, remontai à vontade de Deus, dizendo com um coração submisso e amante: “Seja feita a Vossa vontade”; que o Senhor faça de mim o que quiser, quando quiser e como quiser.
Deste modo, as coisas difíceis e pesadas tornam-se fáceis de suportar.
Santa Maria Madalena de Pazzi dizia: “Não sentis que doçura encerra esta só palavra: vontade de Deus?”. Como o cajado mostrado a Moisés adoçou o amargor das águas, da mesma sorte esta palavra dá doçura às coisas mais amargas.
Porém, na ausência desta luz e deste ato de fé, a pena é insuportável: por isso São Felipe
Neri dizia:
Nesta vida não há purgatório, mas há ou o paraíso ou o inferno, porque aquele que suporta as tribulações com paciência tem o paraíso antecipado, e aquele que não as suporta com paciência tem o inferno”.
Não só a tribulação vem de Deus, mas é destinada por Ele para alcançar-nos um maior bem. O medicamento desagrada ao doente, mas o médico dedicado prescreveu-o para sua cura. Para que, pois, mudar em assunto de queixas o que devia ser para nós motivo de ação de graças?
A cruz, diz o nosso santo, é a verdadeira porta por onde se entra no templo da santidade: não se pode entrar nele por nenhuma outra. Vale mais conservar-nos um instante na cruz, do que gozar as delícias do céu.
A felicidade dos bem-aventurados consiste no gozo de Deus, e a dos homens neste mundo no sofrimento pelo amor de Deus: é por isso que Nosso Senhor chama felizes aos que sofrem durante o exílio, porque serão eternamente consolados na pátria: “Felizes os que choram”.
Eu disse – sofrer pelo amor de Deus; porque segundo a expressão de Santo Agostinho não há ninguém que ame o sofrimento ou a impressão da dor; mas amamos sofrer, amamos a virtude da paciência e o mérito e o fruto que dela provém aos que sofrem.
Assim, pois, a nossa inclinação natural a sermos livres do sofrimento não sem opõe à mais perfeita resignação. É o grito da natureza, que a graça aperfeiçoa pouco a pouco, mas que não pode
nunca destruir.
Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele próprio, para mostrar que era um verdadeiro homem, pediu que o cálice de sua paixão se afastasse dEle.
Não procureis, pois, ser estoicamente indiferente ou insensível; mas cristãmente paciente, ou corajosamente resignado. É o que pedem a razão do homem e a fé do cristão.
*   *   *
Fonte: retirado do livro “Direção para sossegar nas suas dúvidas as almas timoratas” do
Rev. Pe. P. Quadrupani.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

PODEROSÍSSIMA PRECE PARA CRESCERMOS EM SANTIDADE!

São João Eudes recomendava a recitação desta prece pela conversão dos pecadores e à cabeceira dos enfermos.
São João Eudes recomendava a recitação desta prece pela conversão dos pecadores e à cabeceira dos enfermos. A Santíssima Virgem lhe prometeu que aqueles que, devotamente, a recitarem em estado de graça crescerão em devoção a cada louvor. Quanto aos pecadores, mesmo empedernidos, seria salutar excitá-los a rezar esta prece, ou pelo menos a aceitar que outros o façam por eles. É um poderosíssimo meio de conversão e de santificação.
 
Ave Maria, Filha de Deus Pai.
Ave Maria, Mãe de Deus Filho.
Ave Maria, Esposa do Espírito Santo.
Ave Maria, templo de toda a Divindade.
Ave Maria, alvíssimo lírio da Trindade, fulgurante e sempre sereno.
Ave Maria, rosa resplandecente de celestial amenidade.
Ave Maria, Virgem das Virgens, Virgem fiel, de quem quis nascer e de cujo leite quis se amamentar o Rei dos Céus.
Ave Maria, Rainha dos Mártires, cuja alma foi transpassada pelo gládio da dor.
Ave Maria, Senhora do Mundo, a quem foi dado todo poder no Céu e na Terra.
Ave Maria, Rainha do meu coração, Mãe, vida, doçura e esperança minha caríssima.
Ave Maria, Mãe amável.
Ave Maria, Mãe admirável.
Ave Maria, Mãe de misericórdia.
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois Vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
E bendito é o vosso Esposo, São José.
E bendito é o vosso Pai, São Joaquim.
E bendita é a vossa Mãe, Sant'Ana.
E bendito é São João, a quem fostes confiada ao pé da Cruz.
E bendito é o vosso Anjo, São Gabriel.
E bendito é o Eterno Padre que Vos escolheu.
E bendito é o vosso Filho que Vos amou.
E bendito é o Espírito Santo que Vos esposou.
E benditos são eternamente os que Vos bendizem e crêem em Vós.
 (São João Eudes)
(Revista Arautos do Evangelho, Maio/2004, n. 29, p. 2)
 

domingo, 12 de abril de 2015

HOJE CELEBRA-SE A FESTA DA DIVINA MISERICÓRDIA!

JESUS EU CONFIO EM VÓS!
Eis o relato de Santa Faustina:

“Em determinado momento ouvi estas palavras”:

Minha filha, fala a todo o mundo da Minha inconcebível misericórdia.
Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores.
Neste dia estão abertas as entranhas da Minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Minha misericórdia.
 A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das culpas e das penas. Nesse dia estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais fluem as graças.
Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de Mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate.
A Minha misericórdia é tão grande que, por toda eternidade, nenhuma mente, nem humana, nem angélica a aprofundará.
Tudo o que existe saiu das entranhas da Minha misericórdia.
Toda alma contemplará em relação a Mim, por toda a eternidade, todo o Meu amor e a Minha misericórdia. A Festa da Misericórdia saiu das Minhas entranhas.
Desejo que seja celebrada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa.
A humanidade não terá paz enquanto não se voltar à fonte da
Minha misericórdia.
 *   *   *
Fonte: retirado do Diário de Santa Faustina Kowalska.

sábado, 11 de abril de 2015

O VALOR DA CRUZ DE CRISTO!

Verdadeiramente, nós somos loucos, mas loucos de amor por Jesus Cristo.
 
 
A obra prima da alegria é a Cruz de Jesus Cristo. Esta cruz, que aos olhos do século parece não ser mais que o símbolo da tristeza, do sofrimento e da dor, é, na realidade, o requinte da ventura;
E essa loucura de que fala o apóstolo São Paulo, a do cristão que procura assemelhar-se a Jesus Cristo e por Seu amor se torna como que louco, essa loucura é verdadeiramente o supremo arroubo da felicidade.
Sei, o século não entende assim: um Deus flagelado, ferido, ensangüentado, crucificado, morto, parece-lhe um símbolo absurdo.
O homem que o cobre de beijos e lágrimas, que pelo repúdio de sua vaidade e de seu orgulho, pela renúncia de suas paixões, que procura reproduzir em si a Cruz de Jesus Cristo, parece-lhe o cúmulo da loucura.
Que importa, porém, os pensamentos do século?! Se na terra já houve uma alegria completa e inefável, a do Amor Crucificado; se as criaturas humanas já foi dado algum antegosto da felicidade, que ardentemente desejam, elas o acharam no contato com Jesus Cristo.
O mundo físico tem muitas alegrias: a vida, a saúde, a força, o espetáculo das cenas variadas da natureza, o aspecto das montanhas, a extensão dos mares, a beleza das planícies, os brilhos do sol, os próprios ruídos da tempestade são fontes de prazer para o homem.
O mundo intelectual tem muitas alegrias: o simples exercício das faculdades do espírito, a rapidez, o fluxo e o refluxo dos pensamentos, os encantos da poesia, as harmonias da música, os atrativos da forma e da cor, a pintura, a escultura, a arquitetura são para o espírito e o coração do homem fontes de emoções deliciosas.
O mundo moral tem muitas alegrias: o amor da família, da pátria, da humanidade; as tranqüilas afeições do lar; os afetos ardentes da juventude; as profundas meditações da idade madura; uma grande esperança que se alimenta; uma grande vitória que se conquista – tudo isso é para o homem perene, inesgotável manancial de alegria.
Pois bem; resumi numa só as variadas alegrias do mundo físico, as alegrias variadíssimas do mundo intelectual e moral; resumi num só todos os gozos puríssimos da inteligência, todos os prazeres mais delicados da imaginação,
…vós não tereis senão uma pálida sombra desta infinita alegria que se chama – a Cruz.
Strauss escreveu:
- “A Cruz com um Deus morto pelos pecados dos homens é para os crentes não somente o penhor visível da redenção, mas também a apoteose do sofrimento. É a humanidade na sua forma mais triste, com todos os seus membros dilacerados e quebrados; a perfeição do cristão e a maldição do mundo. A humanidade moderna, satisfeita de viver e operar, não pode mais achar em tal símbolo a expressão de sua consciência religiosa; e conservá-lo na Igreja é acrescentar mais uma razão às muitas que já o tornam incapaz de existir. A Cruz é um anacronismo, um sinal de decadência e caducidade”.
Que ignorância!
A Cruz, o poema predileto da humanidade, é o símbolo que se encontra ainda nos lares, em milhares de corações e em todos os túmulos; a Cruz é o alívio do desventurado, a esperança do moribundo.
Na alegria ela enternece; na tristeza ela consola; até mesmo no cemitério, nas sombras da morte, a Cruz é um penhor de vida!
Mas a humanidade ama ardentemente o gozo e o prazer; de fato, ela não procura senão a felicidade.
A Cruz, portanto, é só aparentemente a apoteose dos sofrimentos; e a maior dasfelicidades humanas é a dos corações crucificados.
A Cruz é a obra prima da alegria, porque ela é obra de Deus, e Deus é alegria infinita; e compreende mal a criação, mesmo depois da queda primitiva, quem supõe que a dor representa nas obras de Deus mais que um papel secundário.
No mundo físico não é a dor que prepondera: ninguém pode descrever o número, a grandeza e magnificência de suas alegrias, que envolvem o globo inteiro.
No mundo moral, sem dúvida, existe a dor; mas ela procede da prevaricação do homem, e não de Deus, cuja bondade aponderou-se dela, transfigurou-a, e de tal sorte transformou-a, que a dor tornou-se para o homem, na condição em que ficou colocada depois da queda, uma condição da alegria.
É uma alegria a dor que o homem sente vendo o que há de irregular no mundo físico, de trágico e triste no mundo moral.
É uma alegria a dor do arrependimento, a contrição dos pecados, a resignação na desgraça, a paciência no infortúnio, a conformidade com a vontade de Deus em todos os estados e condições da vida.
É pela dor que a criação reassume a sua alegria; e por isso a dor entra em tudo que há de dramático e patético na vida humana; e por isso glorificar a dor é uma das mais altas funções da música, da pintura e da escultura;
E por isso para a humanidade nada tem interesse real se não tem alguma relação com a dor; e por isso a dor é verdadeiramente para a vida de cada homem uma condição necessária de sua alegria.
*   *   *
Fonte: retirado do livro “A Paixão” do Rev. Pe. Júlio Maria de Lombaerde.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

O ZELO PELA ORAÇÃO

A ORAÇÃO, ALIMENTO PARA A ALMA!
 
O segundo que à esposa de Deus é necessário na oração é a ação de graças,
Isto é, que com toda humildade dê graças a seu Criador pelos benefícios recebidos e ainda a receber.
 
Isto aconselhou São Paulo Apóstolo, aos Colossenses, no capítulo quarto de sua epístola, dizendo: “Perseverando na oração, velando nela com ação de graças”.
Não há nada que torne o homem tão digno das dádivas divinas como o contínuo agradecimento pelos dons recebidos. Por isso escreve Santo Agostinho a Aurélio: “Que de melhor poderíamos sentir no coração, manifestar com palavras e exprimir com a pena do que Deo gratias (graças
a Deus)”.
Quando, portanto, estás em oração, medita entre ações de graça, que Deus te fez homem; que te fez cristão; que te perdoou inúmeros pecados; que em muitos pecados teria caído, se o Senhor não te houvesse protegido; que não permitiu morreres no mundo, mas te chamou a uma religião altíssima e perfeitíssima que te apascentou sem trabalho teu.
Medita que por ti se fez homem, foi circuncidado e batizado. Por ti se tornou pobre e nu, humilde
e desprezado.
Por ti jejuou, teve fome e sede, trabalhou e se fatigou; por ti chorou, verteu suor de sangue, te alimentou com teu santíssimo corpo e te deu a beber o seu preciosíssimo sangue.
Por tua causa foi esbofeteado, coberto de escarros, escarnecido e atado. Por ti foi crucificado, chagado, morto de morte torpíssima e amaríssima. Tudo isto sofreu para a tua salvação.
Foi sepultado, ressurgiu, subiu aos céus, enviou o Espírito Santo e prometeu dar a ti e a todos os eleitos o reino do céus.
 
Tal ação de graças, feita na oração, é sobremodo útil, nem tem valor, sem ela, qualquer oração. Pois, “a ingratidão, como diz São Bernardo, é um vento ardente que seca a fonte da piedade, o orvalho da misericórdia e o rio
da graça”.
Colocar o coração na oração
O terceiro que necessariamente se exige para uma oração perfeita é que o teu espírito não pense, durante a oração, em outra coisa senão aquilo que oras.
Seria muito inconveniente falar alguém a Deus com a boca e se ocupar com outra no coração; dirigir, por assim dizer, a metade do coração ao céu, e reter a outra metade na terra.
Semelhante oração jamais será atendida pelo Senhor.
Por isso diz a interpretação de Lyrano das palavras do Salmo: “Clamei de todo o meu coração; atendei-me, Senhor: ‘um coração dividido não alcança coisa alguma’”.
Deve, pois, a serva de Deus, no tempo da oração, afastar o seu coração de todos os cuidados exteriores, de todos os desejos mundanos e de todas as afeições carnais, dirigi-lo ao seu intimo e levantar todo o coração e toda a alma somente àquele a quem dirige a sua oração.
Este conselho te dá o teu Esposo Jesus no Evangelho dizendo: “Tu, porém, quando orares, entra no teu aposento, e, cerrada a porta, ora a teu Pai”.
Então terás entrado no teu aposento, quando tiveres encerrado no íntimo de teu coração todas as cogitações, todos os desejos, todas as afeições; então terás fechado a porta, quando tão diligentemente guardares o teu coração que nenhuma cogitação fantástica te possa impedir
na devoção.
“A oração, explica Santo Agostinho, é a direção da alma a Deus por um afeto devoto e humilde”.
Ouve, bem aventurada madre, serva de Jesus Cristo e inclina o teu ouvido às palavras de minha boca. Não te deixes enganar, não te deixes iludir, não percas o grande fruto de tua oração, não percas a suavidade nem a doçura que deves haurir na oração.
 *   *   *
Fonte: retirado do livro ”A vida perfeita” de São Boaventura.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

QUE SIGNIFICADO TEM O CULTO DA SANTA MISSA?



Grande paciência é necessária para suportar a indiferença!
Que a maioria dos batizados na Igreja Católica têm pela Santa Missa: eles rescendem ateísmo e são o veneno da piedade. Pensam eles:
“Uma missa a mais, uma missa a menos, que importa… Já é bastante ouvir a missa nos dias de festa. A missa de tal padre é uma missa de semana santa: quando ele surge no altar eu fujo da igreja”.
Esses que assim falam deixam perceber claramente que pouca ou nenhuma estima têm pelo santíssimo Sacrifício da Missa.

Sabeis que, na realidade, a Santa Missa?

É o sol da cristandade, a alma da Fé, o centro da religião Católica apostólica com a sede em Roma, a que tendem todos os seus ritos, todas as suas cerimônias, todos os seus sacramentos. É a essência de tudo o que há de bom e belo na Igreja de Deus.

Por isso caros leitores meditem bem tudo que vou dizer-vos nesta instrução.

Excelência do Santo Sacrifício da Missa

É uma verdade incontestável que todas as religiões, que existiram desde o começo do Mundo, tiveram sempre algum sacrifício como parte essencial do culto devido a DEUS.
Mas porque essas religiões eram vãs ou imperfeitas, seus sacrifícios, também, eram vãos ou imperfeitos. 
Totalmente vãos eram os sacrifícios do paganismo, e nem acode ao espírito falar sobre eles.
Quanto ao dos hebreus, eram imperfeitos. Se bem que professassem, então, a religião verdadeira, seus sacrifícios eram podres e defeituosos, infirma et egena elementa, como qualifica São Paulo.
Não podiam, assim, apagar os pecados nem conferir graça.
Só o Sacrifício que temos em nossa santa religião, que é a Santa Missa, é um sacrifício santo, perfeito, e, em todo sentido, completo: por ele, cada fiel honra dignamente a DEUS, reconhecendo, ao mesmo tempo, o próprio nada e o supremo domínio de DEUS.
Davi o chama: Sacrifício de Justiça, sacrificium justitiae; tanto porque contém o Justo dos justos e o Santo dos santos, ou, melhor a própria Justiça e Santidade, como porque santifica as almas pela infusão das graças e abundância dos dons que lhes confere.
*   *   *
Fonte: retirado do livro “As excelências da Santa Missa” de São Leonardo de Porto Maurício.

terça-feira, 7 de abril de 2015

É NECESSÁRIO MORRER NO SENHOR PARA GANHAR A FELICIDADE!

“Bem aventurados os que morrem no Senhor”.
É preciso morrer no Senhor para ser bem aventurado, para gozar a felicidade desde esta vida.
Esta felicidade é a que podemos ter já antes de ir para o céu, muito menor na certa do que a alegria do céu, mas que supera todas as alegrias sensíveis desta vida: “A paz de Deus, que vai além de toda a compreensão, guarde vossos corações e vossos espíritos”.
Para alcançar esta paz, mesmo no meio das ofensas e calúnias, é preciso estar morto no Senhor.

O morto, ainda que maltratado e desprezado pelos outros, não se ressente. Também a pessoa mansa de coração, como o morto, não vê nem ouve, procura suportar todos os desprezos.
Quem ama de coração a Jesus Cristo chegará facilmente a isso. Unido inteiramente com a vontade de Deus, com a mesma paz e a mesma tranquilidade, recebe as coisas favoráveis e as desfavoráveis, as alegrias e as tristezas, as injúrias e os louvores.

Assim fez São Paulo que podia dizer: “Estou cheio de alegria no meio de minhas tribulações”.
Feliz aquele que atinge esse grau de virtude! Goza de uma paz contínua, que é bem maior que os outros bens do mundo. Dizia São Francisco de Sales: “Que vale todo o mundo em comparação com a paz do coração?”.
Realmente, o que adiantam todas as riquezas e todas as honras do mundo para quem vive inquieto e sem paz no coração?

Para estarmos sempre unidos a Jesus Cristo, é preciso fazermos tudo com tranquilidade, sem nos inquietarmos com alguma dificuldade que se apresente: “O Senhor não está na agitação”. Deus não mora nos
corações agitados!
Vejamos os belos ensinamentos que nos dá o mestre da mansidão, São Francisco de Sales:
Nunca vos irriteis, nem mesmo abrais a porta à cólera por qualquer motivo. Se ela entrar em nós, já não poderemos expulsá-la nem dominá-la, quando quisermos.
Os meios para isso são: primeiro, afastar imediatamente a cólera, desviando a atenção para outra coisa e calando-se.
Segundo, imitando os apóstolos quando viram a tempestade, recorrer a Deus a quem pertence pôr o coração em paz.
Terceiro, se a cólera, por vossa fraqueza, já colocou o pé em vosso coração, esforçai-vos por vos tranquilizar e, depois, praticai atos de humildade e mansidão para com a pessoa com quem vos sentis irritados.
Tudo isso deve ser feito com suavidade e sem violência, porque é importante não irritar mais as feridas”.
O próprio São Francisco de Sales dizia que precisou se esforçar durante toda a sua vida para vencer duas paixões que o dominavam: a cólera e o amor.
Para vencer a paixão da cólera, confessava ter se esforçado durante vinte e dois anos.
Quanto à paixão do amor, tinha procurado modificar o objeto, deixando as criaturas e dirigindo todo os seus afetos a Deus.
Desse modo, alcançou uma paz interior tão grande que até mesmo exteriormente a demonstrava, apresentando quase sempre um rosto sereno e um sorriso nos lábios.
*   *   *
Fonte: retirado do livro “A prática do amor a Jesus Cristo” de Santo Afonso de Ligório

segunda-feira, 6 de abril de 2015

AS FRAGRÂNCIAS DA PERFEIÇÃO NOS ELEVAM!

Somos o perfume de Cristo
    Se o perfume não se evola pelo ar, impregnando-o com seu rico odor, de nada vale: envelhece e é jogado fora, sem cumprir sua finalidade...
Ir. Patricia Victoria Jorge Villegas, EP
Calai-vos, calai-vos! — repetia o sacerdote, enquanto tocava com seu bastão as florzinhas que cobriam o prado à beira da estrada. Eis como São Paulo da Cruz procurava conter seus arroubos de amor a Deus quando saía a passear na primavera, pois as mimosas flores do campo falavam-lhe com irresistível eloquência, proclamando a perfeição infinita do Criador! Sem palavras nem vozes que pudessem ser ouvidas, mas simplesmente por sua formosura e perfume, elas arrebatavam o Santo; e ele, para não desfalecer de enlevo, via-se obrigado a pedir-lhes silêncio...
Gustavo Kralj
Somos o perfume de Cristo.jpg
Se este pequeno fato evidencia o quanto "é a partir da grandeza e da beleza das criaturas que, por analogia, se conhece o seu Autor" (Sb 13, 5), há, porém, outro aspecto no qual poucas vezes detemos nossa atenção: o cuidado de Deus ao criar nosso corpo, dotando- o de sentidos. Por meio deles podemos não só tomar contato com as coisas materiais, como também nos elevar às sobrenaturais. Um esplendoroso panorama, os sons harmoniosos ou algum alimento saboroso muitas vezes servem de instrumento para nos recordar verdades superiores.
Tomemos como exemplo as agradáveis fragrâncias fabricadas pelas mãos humanas. Fruto do talento e do labor dos perfumistas, são elas elementos aprazíveis ao nosso olfato e à nossa alma, sobretudo quando se tornam pretexto para nosso Anjo da Guarda nos inspirar bons pensamentos, convidando- nos a refletir sobre o frescor da pureza, sobre a candura da inocência ou a limpidez de um coração reto. Não é raro, portanto, que os excelentes aromas sejam úteis para nos aproximarmos de Deus, como diz a casta esposa do Cântico dos Cânticos: "suave é a fragrância de teus perfumes; o teu nome é como um perfume derramado" (Ct 1, 3).
Decerto foi esta uma das razões pelas quais, no Antigo Testamento, Ele próprio instruiu Moisés na preparação da mistura odorífera para a unção dos sacerdotes e dos objetos sagrados (cf. Ex 30, 22?25), bem como do incenso aromático que todos os dias, pela manhã e à tarde, devia ser queimado no altar dos perfumes (cf. Ex 30, 34?36). Com isso, os fiéis podiam louvá-Lo dignamente e, ao mesmo tempo, ter uma noção das delícias eternas.
Entretanto, se consideramos os perfumes por outro prisma, eles têm uma lição a nos oferecer. Basta pensarmos numa requintada fragrância guardada num valioso frasco de cristal. Se ela tomasse vida e começasse a pensar, acaso preferiria ficar para sempre dentro daquele "palácio de vidro", numa existência tranquila, ao invés de evolar-se pelo ar, impregnando-o com seu precioso odor? É evidente que não, pois está em sua natureza perfumar.
Ora, todos nós, batizados, "somos para Deus o perfume de Cristo entre os que se salvam e entre os que se perdem" (II Cor 2, 15). Eis a grande vocação do cristão: difundir por todo o mundo o sublime odor de Nosso Senhor Jesus Cristo, recordando aos homens que seu destino é a eternidade e em função dela se deve viver.

Um filho da Igreja jamais será como um bálsamo engarrafado, temeroso de expandir-se para não perder suas comodidades. Pelo contrário! De seu coração generoso, sempre pronto a lançar- -se em toda espécie de heroísmo, emanam a fé, a esperança e a caridade, que, penetrando no universo inteiro, conquistam almas para o Reino dos Céus e sobem ao trono de Deus como oferenda de agradável aroma.
(Revista Arautos do Evangelho, Março/2015, n. 159, p. 50 - 51)

domingo, 5 de abril de 2015

SENHORA DA SAÚDE ROGAI POR NÓS

Oração

Santa Virgem que és a cura para os enfermos e o retrato fiel de saúde física e espiritual, traz conforto e alento para nossos corpos e alma, fazendo com que sejamos purificados por teu divino amor. Teu doce nome de mãe é consolo para meu coração. Atendei, te peço, meus pedidos contra minha enfermidade e angústias. Me faz são e renovado, senhora santíssima. Quero abrigá-la para sempre dentro do meu ser. Rogai por nós. Amém.
Oração para Nossa Senhora da Saúde
História de Nossa Senhora da Saúde
Sua devoção iniciou-se em Portugal no final do século XVI. A população estava sendo acometida por surtos fortíssimos de peste. Em 1560, durante o reinado de D. Sebastião, o contágio tornou-se insustentável e o rei esgotou todos os seus esforços na luta contra a doença, chegando a pedir até auxílio médico à Espanha.  O povo, ao ver que os recursos terrenos estavam se esgotando, decidiu apelar para os recursos divinos. Uniram-se então em penitência e orações dedicadas e honradas à mãe de Deus, à Virgem Santíssima. Um ano depois de tal ato, o número de mortes diminuiu gritantemente. Em festa, todo o povo de Portugal saiu carregando a imagem da Virgem em rico andor, assim, sendo nomeada Nossa Senhora da Saúde. Foi construída uma Igreja e uma Confraria em sua homenagem na época. Maria nunca teve o poder de realizar milagres e curas, mas sempre esteve junto à seu filho Jesus intercedendo pelos enfermos, sendo a fé na cura que Maria poderia provir vinda daí.
Consta também relatos que entre os anos de 1916 a 1919, houve uma forte epidemia de gripe espanhola no interior de Pernambuco e Alagoas, deixando um rastro de vítimas, vindo a ter inclusive mortes. A população então lembrou-se da Sua Mãe Santa: foram buscar à cavalo a imagem de Nossa Senhora da Saúde e a conduziram para todos os locais de foco da doença. Conta-se que quando a imagem chegou à região de Serra de Água Branca ninguém mais sofreu da doença ou morreu em virtude dela.
Sendo uma das mais antigas e tradicionais histórias do catolicismo, a devoção veio para o Brasil com a chegada de imagens da Santa à cidades como Minas Gerais, Salvador e Rio de Janeiro. Reúne fiéis até os dias de hoje que pedem auxílio à Nossa Senhora da Saúde quando em dificuldade e doença. A Virgem sempre atende e roga por seus filhos que tem fé.
 

sexta-feira, 3 de abril de 2015

EIS AÍ A TUA MÃE!


“A tua vida estará suspensa diante de ti” (Deut. 28, 66)
Fogem as mães da presença dos filhos moribundos;
E se por acaso alguma mãe se vê obrigada a assistir a um filho que está para morrer, procura-lhe todos os alívios que pode dar.
Concerta-lhe a cama, para que esteja em posição mais cômoda; serve-lhe refrescos, e assim a pobre mãe procura mitigar a própria dor.
Ah, Mãe a mais aflita de todas as mães, ó Maria! Incumbe-vos a assistir a Jesus moribundo, mas não vos é permitido dar-lhe algum alívio.
Maria ouviu o Filho dizer: Sitio, tenho sede; mas não lhe foi permitido dar uma gota de água para lhe mitigar a sede. Só pode dizer-lhe, como contempla São Vicente Ferrer: Filho, não tenho senão a água de minhas lágrimas.
Via que sobre aquele leito de morte de Jesus, pregado com três cravos de ferro, não achava repouso. Queria abraçá-lo para lhe dar alívio, ao menos para deixar espirar entre seus braços; mas não podia.
Via o pobre Filho, que naquele mar de aflições buscava quem o consolasse, como ele já tinha predito pela boca do profeta Isaías.
Mas quem entre os homens o desejava consolar, se todos eram seus inimigos? Mesmo sobre a cruz um blasfemava e encarnecia de uma maneira, outro de outra, tratando-o como impostor, ladrão, usurpador sacrílego da divindade, digno de mil mortes.
O que mais aumentou a dor de Maria e sua compaixão para com o Filho, foi ouvi-lo sobre a cruz lamentar-se de o Eterno Pai também o ter abandonado: “Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?”.
Palavras como disse a Bem-aventurada Virgem a Santa Brígida, que não puderam nunca mais sair-lhe da ideia, enquanto viveu. De modo que a aflita Mãe via o seu Jesus atormentado de todas as partes; queria aliviá-lo, mas não podia. Pobre Mãe!
“Mulher, eis aí o teu filho”
Pasmavam os homens, diz Simão de Cássia, vendo que a divina Mãe guardava o silêncio, sem se queixar no meio de sua grande dor.
Mas, se Maria guardava o silêncio com a boca, não o guardava com o coração, porquanto naquelas horas não fazia senão oferecer à justiça divina a vida do Filho para nossa salvação.
Saibamos, pois, que pelo mérito de suas dores Ela cooperou para nos fazer nascer para a vida da graça, e por conseguinte somos filhos de suas dores: “Mulher, eis aí o teu filho”.
Naquele mar de amargura era este o único alívio que então a consolava: o saber que por meio de suas dores nos conduzia à salvação eterna.
– Desde então Maria começou a exercer para conosco o ofício de boa Mãe; pois que, como atesta São Pedro Damião, foi pelas súplicas de Maria que o bom ladrão se converteu e se salvou, querendo a Mãe divina recompensá-lo assim pela delicadeza que outrora lhe mostrou na viagem ao Egito.
E o mesmo ofício de Mãe tem a Bem-aventurada Virgem continuado sempre e continua a exercer. Nós porém, com as nossas obras mostramo-nos deveras seus dignos filhos?
Ó Mãe, a mais aflita de todas as mães! Morreu, enfim, vosso Filho, tão amável e que tanto vos amava! Chorai, que tendes razão para chorar. Quem jamais poderá consolar-vos?
Só vos pode consolar o pensamento que Jesus com a sua morte venceu o Inferno, abriu o Céu fechado aos homens, e ganhou tantas almas. Do trono da cruz reinará sobre tantos corações que, vencidos pelo amor, pelo amor lhe servirão.
Não recuseis entretanto, ó minha Mãe que vos acompanhe a chorar convosco, já que mais que vós tenho razão de chorar pelas ofensas que tenho feito a vosso Filho.
Ah, Mãe de misericórdia! Em primeiro lugar pela morte de meu Redentor, e depois pelos merecimentos de vossas dores, espero o perdão e a salvação eterna.
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Fonte: retirado do livro “Meditações para todos os dias e festas do ano” de Santo Afonso de Ligório.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

A MANSIDÃO NOS LEVA A JESUS NOSSO REDENTOR!


A caridade não se irrita”.

A virtude de não se irritar nas contrariedades que acontecem, é filha da mansidão. Já falamos bastante nos capítulos anteriores sobre os atos de mansidão.
Por ser uma virtude que deve ser continuamente praticada por quem vive no meio dos homens, trataremos aqui apenas de alguns pontos mais particulares, mais úteis na prática.
A humildade e a mansidão foram as virtudes mais estimadas por Jesus Cristo. Por isso ele disse aos seus discípulos: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração”.
Nosso Redentor foi chamado cordeiro: “Eis o Cordeiro de Deus”, não só pelo sacrifício que devia fazer na cruz para satisfazer pelos nossos pecados, mas também pela mansidão manifestada em toda sua vida, especialmente na sua Paixão.
Na casa de Caifás, recebeu uma bofetada daquele servo que, ao mesmo tempo, o tratava como um atrevido: “Assim respondes ao pontífice?”, Jesus só disse essas humildes palavras: “Se falei mal, dize-me em que; se falei bem, por que me bates?”.
Esta mansidão ele continuou a vivê-la até a morte. Pregado na cruz enquanto todos caçoavam e praguejavam, ele apenas dizia ao Pai Eterno que os perdoasse: “Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem”.
Coração Manso
Como são caros a Jesus os corações mansos. Recebendo ofensas, desprezos, calúnias, perseguições e até mesmo pancadas e ferimentos, não se irrita contra quem os injuria ou maltrata.
“Sempre lhe agradaram as súplicas dos mansos”. As preces dos bondosos de coração sempre são aceitas por Deus, isto é, ele nunca deixa de atendê-las.
A eles, de modo especial, está prometido o Céu: “Bem-aventurados os mansos, porque eles possuirão a terra”. Dizia o Padre Álvarez que o paraíso é a pátria dos desprezados, perseguidos
e oprimidos.
A eles, e não aos orgulhosos, que são honrados e estimados pelo mundo, está reservada a posse daquele reino eterno.
As pessoas bondosas não somente alcançarão a felicidade eterna na outra vida, mas já na terra gozarão de uma grande paz. Isso é verdade, porque os santos não guardam ódio de quem os maltrata, mas os amam mais do que antes.
O Senhor, em recompensa à sua paciência, aumenta-lhes a paz interior.
Dizia Santa Teresa: “As pessoas que falam mal de mim, parece que eu as amo com mais amor”.
Mais tarde, disseram dela: “As ofensas eram para ela alimento de amor”, isto é, as ofensas davam-lhe mais oportunidades para mais amar aquelas pessoas que mais a ofendiam.
Tal mansidão só possui quem tem grande humildade e pouco conceito de si mesmo, pelo que julga merecer todo o desprezo.
Por isso mesmo, os orgulhosos são sempre raivosos e vingativos, porque julgam-se bons e acreditam ser merecedores de toda a honra.
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Fonte: retirado do livro “A prática do amor a Jesus Cristo” de Santo Afonso de Ligório.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

RAINHA DOS MÁRTIRES POR QUE CHORAS?

Assim como Jesus se chama Rei das Dores e Rei
dos Mártires,
Porque padeceu na sua vida mais que todos os outros mártires; assim Maria é com razão chamada Rainha dos Mártires.
 Mereceu este título por ter sofrido o martírio mais longo e mais doloroso que se possa padecer depois do de seu Filho.
A Virgem pode dizer o que o Senhor disse pela boca de David: “A minha vida toda passou-se em dor e lágrimas, porquanto a minha dor, que era a compaixão de meu amado Filho, não se afastava jamais do meu pensamento, vendo eu sempre todas as penas e a morte que Ele um dia devia padecer”.
– Revelou a mesma divina Mãe a Santa Brígida, que, ainda depois da morte do Filho e depois de sua Ascensão ao céu, a lembrança da sua paixão estava sempre fixa e recente no seu terno coração de mãe, quer comesse, quer trabalhasse.
O martírio de Maria foi também de todos o mais doloroso, porquanto, ao passo que os outros mártires tiveram o corpo dilacerado pelo ferro, ela teve a alma transpassada e martirizada, como já lhe predisse Santo Simeão: “E uma espada de dor transpassará a tua alma”.
Ora, quanto a alma é mais nobre que o corpo, tanto maior foi a dor de Maria que a todos os mártires. – A tudo isso acresce que Ela padeceu sem alívio algum.
Para os outros mártires, o seu amor a Jesus fazia-lhes os tormentos doces e suaves; para a Divina Mãe, porém, o mesmo amor se lhe tornou cruel algoz, e fazia todo o seu martírio.
Numa palavra, conclui um sábio escritor, o martírio de Maria na Paixão do Filho foi tão grande, porque Ela só podia dignamente compadecer-se da morte de um Deus feito homem.
Co-Redentora da Humanidade
A dor de Maria na Paixão de Jesus Cristo não foi estéril, como a das mães comuns à vista dos filhos que sofrem. Não; foi, ao contrário, uma dor que produziu frutos abundantes de vida eterna.
São Cipriano, falando dos mártires, disse que o seu sangue era como que uma semente de cristãos, querendo dizer que por um só homem que caía vítima da perseguição, seguiam logo muitos pagãos a pedi o batismo e abraçarem a religião perseguida.
Esta fecundidade, porém, vem do martírio da Rainha dos Mártires.
Com efeito, sabemos que pelo mérito do sacrifício doloroso que Maria fez na morte de seu Filho, foi ela feita depositária dos méritos de Jesus Cristo, Co-redentora do gênero humano e Mãe de todos os fieis que lhe foram confiados na pessoa de João: – “Mulher, eis aí o teu filho”.
De sorte que todos os que se salvaram, se salvam e ainda vierem a salvar-se, todos serão devedores da sua salvação, depois de Jesus Cristo, ao martírio do Coração de Maria.
– Se, portanto, nós também quisermos um dia ir gozar no céu, sejamos devotos servos desta querida Mãe, e, à imitação dela, soframos com paciência as penas que tenhamos a sofrer, e todas as graças que queiramos pedir ao Senhor, peçamo-las pelos merecimentos das incomensuráveis dores que ela sofreu no correr de toda sua vida, e especialmente na Paixão de seu Filho.
Sim, ó Rainha dos Mártires, prometemos ser-vos fieis; mas vós mesma deveis alcançar-nos esta graça.
 – “E Vós, ó meu Deus, em cuja Paixão, segundo a profecia de Simeão, a alma dulcíssima da gloriosa Virgem e Mãe Maria foi transpassada por uma espada de dor: concedei propício que nós, que celebramos a memória de suas dores e padecimentos, possamos, pelos méritos gloriosos e intercessão de todos os Santos que se acharam ao pé da cruz, obter os felizes frutos dessa mesma paixão”.
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Fonte: retirado do livro “Meditações para todos os dias e festas do ano” de Santo Afonso de Ligório.