quinta-feira, 18 de junho de 2015

A ESPIRITUALIDADE NA ARTE!

Arte e espiritualidade: O coração de Cristo

Imagem
 
Alfonso Cano | D.R.
O coração, na Escritura, não é a sede dos sentimentos mas dos pensamentos mais profundos e das decisões. Olhar o coração de Cristo significa reportar-se às escolhas fundamentais da existência que apelam a fazer-se verdade em nós mesmos e nos outros.
Hoje já não se fala dos Novíssimos [realidades diretamente relacionadas com o fim último da pessoa], todavia o drama da morte e da finitude da vida entra nas nossas casas a casa dia através das notícias: as calamidades naturais, as perseguições contra os cristãos, os homicídios mais absurdos.
Em tempos, a pregação e as imagens disseminadas nos livros de oração ou nas igrejas ajudavam muito a fixar o olhar sobre o próprio coração e sobre as consequências das escolhas mais secretas. Entre as variadas, a iconografia ligada ao Sagrado Coração difunde-se sobretudo após 1650, ou seja, depois das aparições do Sagrado Coração a Santa Margarida Maria Alacoque.
Contudo, fazia tempo que o coração de Jesus era venerado enquanto modelo das virtudes cristãs. Alonso Cano, pintor e escultor espanhol, representa, já em 1636, uma curiosíssima imagem do Coração de Jesus.
O divino infante está sentado com um hábito cinzento, gasto, sinal daquele lençol que o envolve na última hora e aqui tingido de cinza da morte. Parece adormecido, e a esta interpretação nos dirige o título: Jesus Menino com o coração em chamas, ferido de amor, "Ego dormio et cor meum vigilat".
Sim, eu durmo mas o meu coração vigia: as palavras da esposa do Cântico dos Cânticos são postas aqui na boca do esposo, Cristo, que, no sono da morte, vigia sobre todas as nossas feridas. É evidente, de resto, a ferida do coração sobre a qual Jesus se senta, indicando assim o abandono ao seu destino numa oferta sem segunda escolha.
Os olhos, ainda que fechados, veem-nos, perscrutando as nossas respostas. O dedo mindinho não está escondido na bochecha com os outros, e parece já avermelhado daquele sangue que derramará na cruz.
Diante de imagens semelhantes, Santa Teresa de Liseux amadureceu o seu pequeno caminho, educando-se a viver na profunda consciência do próprio limite e na infinita confiança na misericórdia de Deus.
O manto verde, que o Menino Jesus toca com a mão direita, é símbolo daquela vida que, diferentemente de nós, Ele pode dar e retomar.
Assim, o fiel, rezando diante dessas imagens, era impelido a olhar as agruras da vida presente com a confiança de ser guardado pelo olhar e amor do Salvador, o qual, não obstante o aparente silêncio, continua a velar por nós com a ternura de um pai e a força salvífica do seu sacrifício.
Outra obra, fruto de um anónimo peruano do séc. XVII, oferece-nos a efígie do Menino Jesus pintor, que ilustra aos seus fiéis as verdades últimas. Jesus não está dentro de um ateliê, mas entre as paredes do seu coração, modelo de verdade e simplicidade, e por isso modelo a imitar para alcançar a vida eterna.
ImagemAnónimo peruano | D.R.
Jesus, enquanto segura a paleta e o pincel, volta o olhar para nós, provocando-
nos a uma resposta. O seu corpo está entre o paraíso e a ressurreição última, em que se verá o juízo (ao alto) e a morte e o inferno (em baixo).

Sondar o inconsciente nem sempre é fácil, e muitas vezes as motivações do nosso agir escapam a nós próprios. É por isso que em torno do coração de Cristo estão representados alguns personagens que oferecem as ajudas necessárias para se compreender a si próprios, os outros, e enfrentar a viagem da vida.
À esquerda encontramos as virtudes teologais: a caridade pede um coração materno para todos: a criança que amamenta, filho natural, e outra criança que curiosamente indica a segunda virtude, a esperança. Esta lê a Escritura, certa de nela encontrar o fundamento do seu esperar; aos pés tem a âncora da salvação que impede de se perder nas borrascas da vida.
De pé e com o olhar dirigido a nós, como Cristo, está a fé, que segura o Santíssimo Sacramento, onde o olhar se purifica e reencontra a justa leitura dos acontecimentos.
Os anjos da tela são Gabriel, Miguel e Rafael, testemunhas dos dons divinos: o anúncio de Cristo (a fé); a vitória última contra o mal (a esperança); a cura que Deus tem para nós (a caridade).
O selo da cena é a Trindade: o Pai coloca a cabeça de fora, observando a obra do Filho e enviando o Espírito Santo.
Também nós, hoje, como o antigo fiel de Cusco, olhando para esta imagem aprendemos a confiar-nos ao divino artista, obtendo as cores das virtudes cristãs para fazer da nossa vida uma obra-prima.
 
Gloria Riva
In "Avvenire"
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado em 17.06.2015

terça-feira, 16 de junho de 2015

POR QUE TEMOS MEDO DO FUTURO?

Porque somos tão medrosos?

«Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?» Estas duas perguntas que Jesus dirige aos seus discípulos não são, para o evangelista Marcos, um acontecimento do passado. São as perguntas que têm de escutar os seguidores de Jesus imersos nas suas crises. São as perguntas que temos de nos colocar também hoje: onde está a raiz da nossa cobardia? Porque temos medo perante o futuro? É por nos faltar fé em Jesus Cristo?
O relato é breve. Tudo começa com uma ordem de Jesus: «Passemos para a outra margem». Os discípulos sabem que na outra margem do lago de Tiberíades está o território pagão da Decápole. Um país diferente e estranho. Uma cultura hostil à sua religião e crenças.
Depressa se levanta uma forte tempestade, metáfora gráfica do que sucede no grupo de discípulos. O vento que sopra, as ondas que arremetem contra a barca, a água que começa a invadir tudo, expressam bem a situação: que poderão os seguidores de Jesus perante a hostilidade do mundo pagão? Não é só a sua missão que está em perigo, mas inclusive a própria sobrevivência do grupo.
Despertado pelos seus discípulos, Jesus intervém, o vento cessa e sobrevem uma grande calma no lago. O surpreendente é que os discípulos ficam espantados. Antes tinham medo da tempestade; agora parecem temer Jesus. Todavia, algo decisivo se produziu neles: recorreram a Jesus; puderam experimentar nele uma força salvadora que desconheciam; começam a perguntar-se sobre a sua identidade. Começam a intuir que com Ele tudo é possível.
O cristianismo encontra-se hoje no meio de uma «forte tempestade» e o medo começa a apoderar-se de nós. Não nos atrevemos a passar para a «outra margem». A cultura contemporânea aparece-nos como um país estranho e hostil. O futuro dá-nos medo. A criatividade parece proibida. Alguns acreditam que é mais seguro olhar para trás para melhor ir em frente.
Jesus pode-nos surpreender a todos. O Ressuscitado tem força para inaugurar uma fase nova na história do cristianismo. Só nos pede fé. Uma fé que nos liberte de tanto medo e cobardia, e nos comprometa a caminhar atrás dos passos de Jesus.
José Antonio Pagola
In "Periodista Digital"
Trad.: Rui Jorge Martins
Publicado em 16.06.2015
    

sábado, 13 de junho de 2015

APRENDAMOS DE MARIA A AMAR O CORAÇÃO DO BELO AMOR!

Unidos por um laço de amor incomensurável estão os Sagrados Corações de Nosso Senhor e Nossa Senhora.

 
 
O Imaculado Coração de Maria

Ao se tratar do Sagrado Coração de Jesus, a alma católica pede que se diga uma palavra a respeito do Imaculado Coração de Maria, pois o coração mais semelhante ao do Divino Mestre é precisamente o de sua Mãe Santíssima.
Tão intimamente unidos, que São João Eudes nos ensina que podemos referir-nos a eles no singular, como se tratando de um só e mesmo Coração: “O Coração de Jesus e Maria”.
A esse propósito, Nosso Senhor, revelando-se à beata italiana Batista Varani (séc. XVI), assim
se exprime:
“O gládio mais perfurante que transpassou meu Coração foi o pensar na dor que os sofrimentos e a morte que padeci deveriam causar à minha pura e inocente Mãe! Porque ninguém compartilhava assim dolorosamente como Ela dos sofrimentos de seu Filho.
Foi por essa razão que, com toda justiça, nós A exaltaremos nos Céus e A coroamos rainha dos anjos e dos homens. Como nesta terra ninguém sofreu tanto por Mim quanto esta Mãe querida, ninguém A igualará em glória.
E porque foi Ela um outro Eu mesmo durante meus próprios sofrimentos, Ela é, no Céu, um outro Eu mesmo pelo poder e pela glória.
Não Lhe falta senão a Divindade, da qual nenhuma criatura poderá participar” (DGuéranger, L’Année Liturgique, Maison Alfred et Fils, Tours, 1922).
O Sagrado Coração e o pecador
Quis Ele, assim, que na consideração da intensidade desse amor, nós fôssemos tocados pela graça divina e mudássemos de vida. O que se compreende, porque um grande ato de bondade pode tocar os corações mais empedernidos e, dessa forma, obter conversões as mais brilhantes.
Esse Sagrado Coração representa, portanto, todo o amor de Nosso Senhor Jesus Cristo por cada um de nós, todo o imenso sacrifício que Ele fez para nos resgatar e nos salvar.
Ele nos criou e nos resgatou do pecado pela sua morte infinitamente preciosa. Como Homem-Deus, Ele conhecia todos os homens que haveriam de nascer, amando-os intensamente.
De maneira que, considerando o pecado gravíssimo de algum deles, Ele diria: “Meu filho, ‘você mediu o mal que fez? Para você eu quero o Céu e não o inferno. Farei um milagre na ordem da graça para que você se reabilite”.
Se tivermos a suprema desventura de pecar, portanto de ofender a Deus, devemos imaginar esse Sagrado Coração, de “majestade infinita”, voltando-se para nós, cheio de bondade, e nos inquirindo: “Por que me fizeste isso? Que mal te fiz? Em que te contristei?”
E deixarmo-nos, por assim dizer, precipitar nesse oceano de grandeza, de realeza, de superioridade infinita, que é o Sagrado Coração, do qual brota para cada um de nós uma fonte inexaurível de misericórdia, de afeto, de ternura, de perdão, que nos inunda e quebra nossa maldade.
E, comovidos dessa forma até nossas entranhas, não queiramos outra coisa senão nos arrepender e expiar nossos pecados, para amá-Lo cada vez mais e nos consumirmos em holocausto a Ele.
Sirvam estas considerações de motivação para revermos nossas almas e nossas vidas. Para implorarmos ao Sagrado Coração de Jesus o perdão pelos pecados de que não nos tenhamos arrependido suficientemente, pedindo ainda que, a rogos de Maria Santíssima, Ele nos proteja para evitarmos outros pecados.
Tendo sempre presente a sublime lamentação de Nosso Senhor feita a Santa Margarida Maria: “Eis este Coração que tanto amou os homens e por eles foi tão pouco amado”.
Não, absolutamente não! Não sejamos destes que amam pouco, mais sim dos que amam muito, a ponto de renunciarmos a tudo e sofrermos tudo para segui-Lo.
 
Sagrado Coração de Jesus, Rei e centro de todos os corações – tende piedade de nós!”
*   *   *
Obra consultada:
Pe.Jean-Baptiste Terrien SJ, La devoción au Sacré-Coeur de Jésus d’après les documents authentiques et la Théologie, Pe. Lethielleux. Libraire-Ed iteur. Paris, 1927.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

FESTA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS


Hoje é a Festa do Sagrado Coração!
Veja o que Nosso Senhor disse a Santa Margarida Maria Alacoque:
"Por isto te peço que a primeira sexta-feira após a oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa particular para honrar Meu Coração, comungando neste dia, e O reparando pelos insultos que recebeu durante o tempo em que foi exposto nos altares.
Prometo-te que Meu Coração se dilatará para derramar os influxos de Seu amor divino sobre aqueles que Lhe prestarem esta honra".
E além disso, quando você pede este devocionário, ainda garante que mais pessoas possam recebê-lo, graças à sua ajuda.
E Nosso Senhor ainda prometeu:
"As pessoas que propagarem esta devoção terão o seu nome inscrito para sempre no meu Coração".
Que por seus rogos e honras, o Sagrado Coração de Jesus abençoe você e sua família.
Fonte:Associação Sagrado Coração de Jesus